Utilização de geotecnologias na reprodução e recuperação de património, reflexão ética e caso de estudo
Palavras-chave:
Conservação, Restauro, Ética, Pedra, Escultura, Reprodução CNCResumo
Todos nós, tal como os objetos que nos rodeiam, estamos em permanente processo de degradação pela simples razão de nos situarmos sobre a superfície do globo terrestre e interagirmos com a atmosfera que nos envolve. Desta circunstância decorre, que, inexoravelmente, padecemos de processos oxidativos - uma imprecação incontornável que, em simultâneo, nos autoriza as comodidades da nossa natureza terrena. A degradação, de todos, é um processo evolutivo e conduz inevitavelmente à não existência, num limite temporal mais ou menos curto - em algum momento do futuro, não existirão, de facto, as pirâmides no Egipto, a Mona Lisa no Louvre, ou, Big Ben em Londres, etc. – nessa altura, talvez a venha a ser considerado previdente termos feito pelo menos algumas cópias; ou não. Também podemos considerar a hipótese de, por essa altura, já termos deixado de dar importância ao passado, só pensando no futuro imediato, como a maioria dos animais que hoje nos rodeiam. Neste artigo pretendemos apresentar uma reflexão ética sobre a encruzilhada em que nos encontramos e apresentar um exemplo de uma intervenção que faz uso de tecnologia para “criar arte antiga hoje”, mas que mantém na nossa realidade atual património que já se tinha perdido quanto à sua integridade física para além dos limites da recuperação pelo restauro tradicional. Como resultado final do trabalho de todos os peritos envolvidos foi recolocada in situ a reprodução de uma escultura em pedra, produzida por CNC, para substituir a irrecuperável que originalmente se situava num enquadramento escultórico simétrico. São referidas as particularidades do equipamento utilizado que permitiram resolver este desafio de restauro, bem como as preocupações éticas surgidas ao longo de todo o seu processo.
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